Uma análise com 2.603 exames de ressonância magnética revelou que mudanças na forma do cérebro, além da já conhecida perda de tecido, podem servir como marcador precoce de declínio cognitivo. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade da Califórnia em Irvine (EUA) e da Universidade de La Laguna (Espanha) e publicada nesta segunda-feira (13) na revista Nature Communications.
Os autores acompanharam participantes entre 30 e 97 anos para mapear alterações estruturais ao longo do envelhecimento e relacionaram esses dados aos resultados de testes de raciocínio. O grupo observou que regiões na parte posterior da cabeça diminuem de maneira mais acentuada em pessoas com desempenho inferior nos exames cognitivos.
Segundo os pesquisadores, a transformação de forma pode comprimir o córtex entorrinal, área fundamental para a memória e primeira a acumular proteínas tóxicas relacionadas à doença de Alzheimer. Esse processo ajudaria a explicar por que o local costuma ser o ponto inicial da patologia.
“Compreender essa dinâmica nos oferece uma nova perspectiva sobre os mecanismos do Alzheimer e sobre oportunidades de detecção precoce”, afirmou o neurocientista Michael Yassa, da UC Irvine, um dos autores do trabalho.
Atualmente, cerca de 55 milhões de pessoas no mundo vivem com demência, conjunto de sintomas que engloba perda de memória e dificuldades de raciocínio. Identificar mudanças cerebrais sutis, como indicam os resultados, pode facilitar a definição de estratégias de diagnóstico e tratamento antes que o comprometimento se torne evidente.
Com informações de WizyThec

