No início deste ano, a Colossal Biosciences anunciou o nascimento de três filhotes de lobo-cinzento com características genéticas do extinto lobo-terrível. Embora não haja planos imediatos de libertar os animais, um grupo formado por algumas das principais organizações de conservação do planeta quer impedir que esses e quaisquer outros organismos recriados sejam introduzidos em ecossistemas naturais.
A proposta de moratória será votada durante a próxima reunião da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Se aprovada, proibirá temporariamente a liberação de espécies geneticamente modificadas na natureza até que a entidade tome uma decisão definitiva.
Argumentos a favor da proibição
Defensores da medida alertam para potenciais desequilíbrios ecológicos. “Precisamos investir em estratégias de conservação que sabemos funcionar, e não em trazer de volta animais extintos”, afirmou Joann Sy, consultora científica da Pollinis, organização sediada em Paris que patrocina a moratória.
Críticas à pausa
Oposição à proposta parte de entidades como a Revive & Restore. Para Ryan Phelan, cofundador da ONG, a interrupção colocaria em risco financiamentos e atrasaria avanços científicos. “Os doadores e reguladores são avessos ao risco; a moratória travaria o desenvolvimento”, declarou.
Impacto sobre projetos de desextinção
Caso entre em vigor, a moratória não impede a continuidade de pesquisas em laboratório, mas obriga cientistas a aguardar uma futura revogação para liberar organismos na natureza. A Pollinis reconhece que evidências posteriores de segurança poderiam anular a restrição.
Matt James, chefe de animais da Colossal Biosciences, teme que a proibição prejudique a percepção pública e o aporte de recursos: “Seria muito negativo em termos de relações-públicas e de investimento em tecnologia”, disse.
Imagem: AuntSpray
Papel da UICN
A UICN mantém a Lista Vermelha, que avalia o risco de extinção de milhares de espécies. Por isso, uma decisão sobre animais recriados pode ter repercussão mundial.
A votação deverá ocorrer ainda este ano. Até lá, segue o debate entre quem vê na biotecnologia uma ameaça aos ecossistemas e quem enxerga nela uma ferramenta para restaurar a biodiversidade.
Com informações de WizyThec

