A BYD deu início, nesta quinta-feira (9 de outubro), às atividades de sua primeira unidade fabril no Brasil, localizada em Camaçari (BA). A solenidade reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o CEO mundial da companhia, Wang Chuanfu.
O complexo industrial faz parte de um investimento de R$ 5,5 bilhões e deve gerar cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos. A montadora planeja produzir até 600 mil veículos por ano no país até 2030, meta revisada para cima em relação à projeção inicial de 300 mil unidades.
Modelos e processos de produção
Na fase inaugural, a fábrica monta o compacto elétrico Dolphin Mini e os híbridos Song Pro e King, atualmente em regime Semi Knocked Down (SKD), no qual os carros chegam parcialmente montados da China e recebem acabamento final na Bahia. A empresa pretende adotar em breve o sistema Completely Knocked Down (CKD), com nacionalização maior de componentes.
Os veículos produzidos a partir da próxima semana começam a ser enviados às concessionárias brasileiras. A BYD também planeja exportar unidades para outros países da América do Sul, com o objetivo de figurar entre as três maiores marcas da região.
Híbrido flex e COP30
Outro aporte previsto é a fabricação de motores híbridos flex. Trinta unidades do Song Pro equipadas com motorização 1.5 aspirada adaptada ao etanol serão utilizadas na COP30, marcada para 2025 em Belém (PA). A data de chegada desses modelos ao mercado ainda não foi definida pela montadora.
Estrutura do complexo
Adquirida após a saída da Ford, a planta de Camaçari ocupa 1 milhão de metros quadrados e é, segundo a empresa, sua maior instalação fora da China. Além das linhas de montagem, o local abrigará 26 instalações, entre centros de pesquisa, laboratórios de motores e estruturas de apoio à mobilidade elétrica.
Disputa tributária
A entrada da BYD no mercado nacional provocou reação de fabricantes como Volkswagen, General Motors, Stellantis e Toyota. As rivais enviaram carta ao governo federal pedindo que benefícios fiscais não contemplassem veículos montados nos regimes SKD e CKD, alegando concorrência desleal.
Imagem: Divulgação
O Ministério do Desenvolvimento definiu um período de seis meses de isenção de imposto de importação para veículos SKD e CKD, limitado a R$ 463 milhões em valor aduaneiro para todo o setor. Após esse prazo, a alíquota integral de 35% passa a vigorar, com cronograma antecipado para janeiro de 2027. Para veículos totalmente importados (CBU), o aumento gradual de imposto foi mantido até julho de 2026.
Preços para vendas diretas
Com produção local, a BYD anunciou versões de menor preço destinadas a vendas diretas. O Dolphin Mini GL custará R$ 118,9 mil, com valores reduzidos para R$ 107 mil em vendas a pessoas com deficiência (PCD) e R$ 98,5 mil para taxistas. Em novembro, as versões GL de King e Song Pro também entram no programa: o King cairá de R$ 144,4 mil para R$ 132 mil (PCD) e R$ 124,9 mil (taxistas); o Song Pro passará de R$ 161,4 mil para R$ 147,9 mil (PCD) e R$ 132,9 mil (taxistas).
Com a fábrica baiana em operação, a BYD amplia sua presença no mercado brasileiro de veículos eletrificados e consolida Camaçari como centro de pesquisa, desenvolvimento e produção da marca na América do Sul.
Com informações de WizyThec

