Um levantamento realizado por pesquisadores internacionais identificou alterações cerebrais em golfinhos-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) que lembram a neuropatologia do Alzheimer em humanos. Os resultados, publicados na revista Communications Biology, podem explicar o aumento de encalhes registrados nos últimos anos.
O que a equipe investigou
Os cientistas analisaram o cérebro de 20 animais encontrados em diferentes pontos do litoral. O objetivo era verificar exposição a toxinas e mudanças na expressão gênica, além de eventuais danos estruturais.
Principais descobertas
Neurotoxina 2,4-DAB — Todos os cérebros exibiam concentração elevada do ácido 2,4-diaminobutírico, composto associado à proliferação de algas nocivas.
Placas amiloides — Foram detectadas placas proteicas equivalentes às observadas em pessoas com Alzheimer, algo que pode prejudicar orientação espacial dos mamíferos.
Alteração gênica — Os testes mostraram expressões gênicas atípicas, sugerindo resposta do organismo à exposição prolongada às toxinas.
Risco ambiental e humano
David Davis, pesquisador da Universidade de Miami e coautor do artigo, alertou que golfinhos funcionam como “sentinelas ambientais” para contaminantes marinhos. Segundo ele, a presença crescente de cianobactérias reforça a hipótese de que toxinas algais constituem fator de risco também para a saúde humana.
Imagem: luchschenF
Os autores ressaltam que, embora placas amiloides não sejam incomuns em animais marinhos idosos, a proliferação de algas nocivas pode acelerar o acúmulo dessas proteínas, provocando desorientação e contribuindo para os encalhes.
O estudo aponta que compreender a relação entre toxinas ambientais e degeneração neural em golfinhos pode abrir caminhos para novas estratégias de prevenção e tratamento do Alzheimer em pessoas.
Com informações de WizyThec

