Pesquisadores da Universidade Estadual da Louisiana (LSU), nos Estados Unidos, analisaram registros globais de ataques de tubarão de 1960 a 2015 e verificaram um número maior de ocorrências em períodos de maior luminosidade lunar, especialmente na Lua cheia. O trabalho, publicado em 2021 na revista Frontiers in Marine Science, utilizou dados do Arquivo Internacional de Ataques de Tubarão, ligado ao Museu de História Natural da Flórida.
Embora a maioria dos incidentes seja registrada durante o dia, o estudo aponta que a iluminação proporcionada pela Lua pode interferir indiretamente no comportamento desses predadores, possivelmente por meio de alterações nas marés ou na atividade de suas presas. “É cedo para afirmar que a Lua causa os ataques, mas há correlações que merecem ser estudadas”, disse Steve Midway, coautor e professor associado da LSU, em comunicado.
Revisão global questiona universalidade da relação
Uma revisão publicada neste mês na revista Global Ecology and Conservation reavaliou a conexão entre fases lunares e mordidas de tubarão em várias regiões do planeta. O artigo confirma a tendência observada no estudo de 2021, mas ressalta que o padrão não se aplica a todos os locais. Na Califórnia, por exemplo, análises recentes só detectaram aumento de ataques em períodos com cerca de 50% de iluminação lunar.
Segundo os autores da revisão, fatores como visibilidade da água, temperatura e fluxo de banhistas podem modificar a influência da Lua. Eles também destacam limitações na coleta de dados originais, incluindo a dificuldade de vincular cada ocorrência a condições exatas de maré e horário.
Pernambuco segue como área crítica no Brasil
No Brasil, o estado de Pernambuco contabiliza 77 ataques desde o início do monitoramento oficial, em 1992. A maioria ocorreu na Região Metropolitana do Recife, sobretudo nas praias de Boa Viagem e Piedade, onde o banho de mar está proibido. O índice de mortalidade local chega a 30%, percentual considerado alto em comparação com a média mundial.
Apesar de não haver registros em 2024 e 2025, o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (CEMIT) mantém ações de prevenção. Em janeiro, foram instaladas 150 placas de alerta ao longo da orla, e comunicados são emitidos em épocas de maior risco.
Para especialistas, compreender como fatores astronômicos, ambientais e humanos interagem pode ajudar a criar recomendações mais seguras para banhistas e praticantes de esportes aquáticos.
Com informações de WizyThec

